terça-feira, 25 de maio de 2010

A minha Geira Romana

A minha Geira Romana não correu como o esperado, mas podia ter sido pior.

A viagem na véspera até caldelas até correu bem, ao chegarmos encontramos logo vários amigos, realizámos o levantamento de dorsais, jantar e um pouco de convívio numa esplanada local, onde a Analice nos brindou com a sua companhia, contando façanhas das várias das prova que tem feito ao longo dos vários anos de prática da modalidade, depois fomos para o local para pernoitar. Pela primeira vez iria dormir em solo duro e esse foi o primeiro erro, pois não se consegue dormir, apenas passei pelas brasas das 00h30 às 4h14.

No dia da prova, ainda no local de pernoita percebo que não fui o único a não conseguir dormir, é que havia lá um "motor" ligado a noite toda e fartou-se de tirar água (ronc... ronc... rons...) ainda pensei que fosse uma armadilha do "Abutre" Vitorino, mas esse não dormiu lá, talvez tivesse sido uma armadilha do "Laminha" Vitor Ferreira, mas ele de manhã também estava com cara de que a noite tinha sido em claro.

Tomo o pequeno almoço preparo as coisa e sigo para o transporte, depois de uma viagem de pouco mais de 1 hora num serpentear pelas estradas do Gerês, chego a Lóbios a tempo de vomitar na primeira valeta que encontro.

(os 5 Ultra Trailers do CLAC: Marçal, Brito, Otília, Oliveira e Jorge)

O calor antes da partida já se fazia sentir e eu percebi que teria que fazer uma prova com cabeça e tentar gerir o melhor possível (foi isso que prometi à minha Otília).

(Marçal, Luís Pereira, Brito, Hélder Ferreira que viria a ser o vencedor da prova e Oliveira, em Lóbios)

Depois do famoso juramento foi dada a partida, inicio com calma na companhia da Otília e de alguns companheiros do CLAC.


O terreno começa a subir até à antiga fronteira, deixo a Otília após o 1º km e fico apenas na companhia do amigo e companheiro de clube Jorge Santos, pouco depois junta-se a nós o Marçal Silva, seguimos os três até à travessia do rio Homem (1º posto de controlo). Passado o rio o Marçal decide seguir um pouco mais rápido, opto por seguir com o Jorge e fazer uma prova mais calma.

Seguimos sempre acompanhados por outros atletas, entre eles o Fernando Fonseca e o Lamas, no estradão da mata da Albergaria alguns carros teimam em ultrapassar-nos, mas como o estradão estava seco e havia bastante pó fizemos uma barreira e dificultámos ao máximo. Nesta parte da prova ainda havia sombras, mas à medida que subíamos a sombra diminuía o que nos obrigava a correr pelo lado esquerdo, o que fez com que alguns atletas se enganassem, pois havia uma descida técnica à direita e o pessoal como ia pelo lado esquerdo do estradão seguia em frente. Mas eu não me enganei e segui pela direita. À nossa direita está a barragem de Vilarinho da Furnas, que pena que a zona florestal envolvente tenha sido queimada, que falta nos fez essa sombra. Passamos a barragem, entramos no alcatrão, o parque de campismo da Cerdeira está do nosso lado esquerdo, corro na companhia apenas do Jorge e vou pela berma para fugir ao alcatrão e apanhar mais sombra. Pouco depois entramos na localidade de Campos do Gerês, como já conhecia o local sabia que existia um tanque com água fresquinha à nossa direita, certo e certinho parei para molhar a cara e o chapéu, nesse momento somos "apanhados" pelo "abutre" Vitorino e pelo "laminha" Vitor Ferreira (tinham-se enganado no tal estradão e tinham seguido em frente), seguimos todos até ao abastecimento no museu da Geira (ainda houve um sprint entre mim e o Vítor para ver que picava primeiro o ponto).

Abastecemos e seguimos viagem, mas já só eu e o Jorge, pois o resto do pessoal não quis perder tempo, nós ainda tivemos que fazer uma paragem para o Jorge tirar alguma areia que tinha na sapatilha e depois foi dar corda aos sapatos e aproveitar o alcatrão.

Em Covide já tínhamos alcançado o Lamas (o Vitorino e o Vítor iam um pouco mais à frente) e fomos mesmo a tempo de o ver dar um grande malho quando saia do alcatrão para entrar novamente na Geira, depois de nos certificarmos que estava tudo bem, lá fomos até à quebrada (a famosa raiz), nesse momento somos alcançados pelo Daniel e pelo Vítor Veloso, que ainda foi a tempo de me tirar uma foto, mas depressa desapareceram. Depois da quebrada o grupo fica apenas de três elementos (eu, o Jorge Santos e o Vítor "laminha"), o Jorge aos 27 km diz que vai seguir mais lento (até aqui esteve sempre bem), ainda ficámos um pouco mas depois acabámos por seguir (eu e o "laminha"). O Vítor foi o meu colega de prova até final, tentámos correr o mais possível, mas por vezes tivemos de caminhar, o calor era muito, por vezes parávamos junto a pequenas cascatas para nos molharmos. Juntos fomos progredindo e lá nos íamos ajudando, por vezes dizia-mos que iríamos bater o nosso recorde de caminhada (o anterior estava em 35 km na Freita), o Vítor só pensava em tanques com água para saltar lá para dentro, mas os que encontrámos estavam vedados...

No posto de abastecimento de Sebastião do Gerês, fizemos uma paragem um pouco maior (havia música e tudo) e fomos alcançados por um grupo de atletas das Lebres do Sado, o Vítor diz-me que devíamos aproveitar o comboio, pois assim seria mais fácil prosseguir. Lá fomos mas no abastecimento que se seguia, perto dos 40 km, acabámos por ficar mais tempo e perdemos o comboio. Já estávamos quase a chegar a Caldelas, mas havia que transpor a tal subida de 600 metros com 10% de inclinação. O Vítor improvisa um bastão com um pau de eucalipto, eu opto por continuar de mão livres. Estamos nós em plena subida quando olhamos para trás e vemos a Analice, o Vitor ainda graceja " Ó Brito esta senhora com 66 anos está a gozar connosco que temos pouco mais de 40 anos", a Analice lá vai subida a cima sempre a correr e nós a caminhar. Mas pouco depois o terreno fica mais plano, começamos de novo a correr e pouco depois já estávamos junto a Analice, um pouco mais à frente começa a descida técnica, a Analice com receio de se magoar opta por seguir num ritmo mais lento e nós embalámos encosta abaixo e fomos passando alguns atletas que estavam em piores condições que nós. Mesmo pertinho de Caldelas estava o Adelino (que infelizmente teve de abandonar a prova) para nos dar água, obrigado Adelino soube mesmo bem e deu-nos força para os últimos metros até à meta.

(Eu e o Vítor num disputado sprit final que eu viria a perder no fotofinish)

No final não posso dizer que não queria ter feito a Geira (52km) um pouco mais rápido, mas acabei em 6h51'35'', sem me ter enganado uma única vez, sem quedas, sem cãibras ou outras complicações.

No final fiquei com pena de já não haver massagem para os atletas que chegam mais tarde, assim como a comida e a bela da imperial.

Embora este ano a tempo não tenha ajudado, penso que a prova esteve num bom nível e para o ano conto lá estar novamente, só espero que o percurso seja a acabar em Lóbios, pois na minha opinião a prova fica muito mais bonita e um pouco menos dura.

A garrafa de verde recebida no final da prova já marchou, agora toca a preparar a Freita, afinal são só mais uns kms e umas rampas...

7 comentários:

V. Ferreira disse...

Viva amigo Brito.
Tal como a Otilia a sua descrição da prova deixa-me com água na boca. Quem me dera saber escrever assim, foi um relato exacto do que se passou na prova.
Agradeço a referência à minha pessoa, e agradeço o companheirismo vivido durante metade da prova até à linha de chegada. Boa recuperação amigo.
Agora vamos ganhar a "Finisher" na Freita...
Sim, vamos ser ULTRA a sério!
Um abraço

André Costa disse...

Viva!
Parabéns pela prova, da parte do "artista" que se estatelou logo a seguir à ponte do rio Homem... :)
Cumps.

Mário Lima disse...

Olá Brito

Gosto desse espírito: «agora toca a preparar a Freita, afinal são só mais uns kms e umas rampas...»

Espectáculo!

:)

Vi-te chegar, já eu estava "farto" de ter chegado!!!

:))

Agora a sério. Uma belíssima prova e pelo teu relato fiquei a conhecer mais um pouco sobre a Geira. Para o próximo ano quero conhecer também esse tanque pois só vi uma "bica" onde bebi uma água fresquinha que me soube muito bem.

Uma bela prova em boa companhia e aquela corridita final é sinal de que ainda haviam energias para se gastar. Fica para a Freita.

:)

Abraços!

Team Santos disse...

Olá Brito,

Grande prova esta, só tenho agradecer a vossa companhia , vocês são 5*****, aprendi muito durante aqueles 27km em que te acompanhei foi pena foi a bateria ter durado pouco tempo eheheh. Para o ano à mais e com mais treino, já não me enganam, eheh.
Parabéns à Otilia, pela prova, pois quando passou por mim vinha fresquinha até parecia que não tinha feito aqueles quilometros todos.
Um abraço

António Ferreira disse...

Parabéns aos Britos.
Desta vez pode não ter corrido tão bem, mas para a próxima sai melhor.
Era uma prova que gostaria de ter feito, mas fica pra uma próxima.
A ver se me junto ao pessoal do Clac pros trails que ai vem, assim sempre tenho companhia.

Um abraço.

Vitor Veloso disse...

Olá Brito,
Parabéns pela prova realizada e pelo belíssimo relato que nos faculta.
Ainda seguimos alguns quilómetros juntos, gratificante correr ao lado de alguém experiente nestas andanças.
Ate que foto ficou boa, desculpa ter-te estragado a media!!!! ;-)
Próxima Ultra Freita, que lhe corra muito bem.
Cumprimentos a Otília
Boa recuperação
Abraço
Vitor

António Almeida disse...

Parabéns Brito pela prova e pelo relato.
Obrigado pela simpatia e pelo apoio na fase final.
Abraço.