terça-feira, 9 de novembro de 2010

Como foi a minha 7ª Maratona do Porto

Vencidas várias semanas de treino (12 para ser mais exacto) eis que é chegado o fim-de-semana mais desejado.

No sábado, eu e a Otília (acompanhados por alguns amigos do CLAC) partimos pelas 11h00 do Entroncamento com destino ao Porto, depois viagem calma e de uma breve pausa, no Canidelo, para nos alojarmos, seguimos em direcção ao Palácio de Cristal, local onde se realizava a ExpoMaratona e o levantamento de dorsais (cá para mim são mais peitorais, mas adiante…). Este ano fomos mais cedo, para podermos ver com mais calma o ambiente que rodeia o evento. À entrada aproveitámos logo para uma foto (para mais tarde recordar).


Mal tínhamos chegado já estava a conhecer pessoalmente o Octávio Melo, que veio dos Açores e aproveitou para correr a mais participada Maratona de Portugal. A fila para levantamento dos dorsais estava pequena, havia que aproveitar e após alguns minutos já com o número na mão lá fomos levantar o kit de Maratonista, uma mochila com t-shirt, uma garrafa de vinho do Porto e alguns brindes, a entrega do kit foi feita pela excelente atleta Conceição Gare, ainda a tentei convencer a participar nos Trilhos do Almourol de 2011, mas respondeu-me que não podia ir a todas e que nessa altura estava a pensar em fazer uma prova de 100km!!!

Com o kit na mão, estava na hora de provar a massa oferecida na Pasta Party, mais uma vez a fila estava pequena, o que facilitou a tarefa. De tabuleiro na mão fomos sentarmo-nos na mesa onde estava a Célia Azenha, o José Carlos Pereira (ambos das Lebres do Sado), a Ana Paula e a Sílvia Coelho (ambas da Barreira). A conversa girava à volta da Maratona do Porto, mas também de Ultras, a Célia contava-nos as suas últimas aventuras numa prova de 115kms em trail, parece que a coisa depois de muitos kms até meteu umas aparições…

A conversa estava animada, era Freita para ali, era Alpino Madrileno para acolá, os caminhos de Santiago, Ronda e até os 100 de Mérida vieram à baila (haja pernas). Havia Maratonistas estreantes do CLAC na mesa, que com aquela conversa toda já se estavam a sentir mal…
Depois da barriguinha cheia, fomos visitar os stands da ExpoMaratona, os flyers da Maratona de Barcelona eram apelativos, os da Maratona de Madrid também (esta está nos planos, vamos ver como estarão as finanças), a UMA (Utra Maratona atlântica) também marcou presença, alguns stands de material desportivo ou ligado ao desporto (onde acabámos por comprar algumas lembranças relativas à prova) e lá estava o stand da EMMA (massagens), o mais procurado pelos atletas do CLAC, alguns até dizem que CLAC é Clube de Lesionados e Amigos do Copo, mas isso são as más-línguas eu penso que é CLube de Alta Competição.

Como a maior parte dos atletas na véspera da prova fica cheio de dores de pernas, efeito meramente psicológico e derivado da diminuição de kms na semana que antecede a Maratona, aproveitou logo para uma massagem (quanto mais não fosse fazia o efeito placebo…), até eu aproveitei para fazer uma descompressão de coluna (na zona lombar), mas nas pernas na véspera da prova não, aí ninguém toca…

Durante a tarde fomos encontrando vários amigos destas andanças, o (estreante) Miguel Saraiva (parabéns Maratonista) acompanhado da Sara, o Vítor Dias (que estava com pressa, pois ia para uma sessão fotográfica), o Luís Mota (sempre sorridente), o José Moutinho (com que conversámos sobre trilhos e trail), o Ricardo Batista (com que trocámos votos de boa sorte para a prova) e outros que apenas vimos à distância.

Da comitiva do CLAC apenas faltava a Maria José, que apenas chegou a Campanhã às 21h00, e nós lá estávamos para a receber, depois da equipa completa havia que escolher uma zona comercial para fazer a última refeição de massa. Atravessamos o Douro e pouco depois já estávamos perdidos, pedimos socorro a um habitante da margem sul (de Gaia, claro está…) que amavelmente nos guiou até ao Arrabida Shopping.

As vistas no Shopping eram bastante agradáveis, mas o que nós queríamos mesmo era comer macarrão (ou seja hidratos de carbono). Mais uma vez com a barriga cheia de massa, toca a andar em azimute para a cama. Meia-noite e meia já estava esticado pronto para uma curta noite de sono.

Um pouco antes das 6h00 já o despertador estava a mandar levantar, mais um reforço de hidratos (2 croissant com marmelada e meia barra Isostar), 7h20 e lá fomos nós para a zona do Parque da Cidade, local da chegada e onde iríamos deixar a carrinha. Mais uns cremes manhosos nos joelhos e vaselina nas zonas de maior fricção, meias de compressão, fato de treino e estava pronto para apanhar o autocarro que nós levaria até ao local de partida. Durante a viagem começa a cair uma chuvinha molha parvos (mas eu estava dentro do autocarro…), todos ficámos com a ideia que a Maratona ia ser corrida com chuva, no local da partida também havia chuvinha molha parvos (e agora eu já estava a apanhar com ela…) mas mesmo assim do mal o menos pois não fazia vento.

O ambiente era de festa, no meio de tanta gente encontro o José Carlos Fernandes (que foi o nosso fotógrafo de serviço), tempo ainda para trocar algumas palavras com o Fernando Andrade, o Renato Cruz e o Joaquim Adelino.


Estava quase na hora da partida e o aquecimento tinha sido nulo, entrego o saco com o fato de treino à organização e dou uma volta ao jardim próximo da zona de partida, aproveito para aliviar… e dirijo-me para o controlo de entrada na zona de Maratonistas. Não procuro um local muito à frente, mas sim um local que me permita partir sem grandes confusões, junto a mim estão os companheiros do CLAC, o Francisco Primo e os estreantes Alcino Nunes, Marçal Silva, Henrique Narciso e José Oliveira, um pouco mais atrás o Otília acompanhada da Maria José e do estreante Joana Chachucho.

Após o visionamento de um curto vídeo, sobre a Maratona do Porto, cerca das 10h00 foi dado o tiro de partida da 7ª Maratona do Porto.

Tinha combinado com o Marçal que seguiríamos juntos até ao muro… depois cada um seguiria no ritmo que conseguisse, e assim foi.

Partimos juntos e tivemos a companhia no 1º km do Alcino e do Primo, na subida inicial vejo o Vítor Veloso do outro lado a chamar por mim, faço sinal e seguimos em frente num ritmo fácil. Já na Av. da Boavista e com o terreno ligeiramente a descer o ritmo acelerou, mesmo indo rápido sentia-me bem, fazemos o 1º retorno e cruzo-me com a Otília, faço sinal que está tudo bem e sigo (abaixo dos 4’30’’/km) até aos 10km onde passámos na companhia do Zé Agostinho da Barreira com 45’50’’. Estávamos a andar claramente mais rápido do que tínhamos planeado e isso na Maratona paga-se nos kms finais, entretanto o grupo passa a ter 4 elementos, o estreante Vítor Veloso vem da retaguarda e entra no grupo, também ele nos diz que está a andar mais rápido do que tinha pensado. Lá vamos indo, sinto-me descontraído, observo o rio Douro, a Ribeira o ritmo é agora na casa dos 4’40’’/4’35 por km, passagem aos 15km em 1h09’09’’. Entramos numa zona ligeiramente a subir em paralelo, o Marçal reclama do piso mas não há nada a fazer, atravessamos o túnel da Ribeira e passamos a Ponte D. Luís, agora já estamos na zona da Afurada, o piso é novamente de paralelo, vamos para o passeio para fugir ao empedrado, nessa altura os primeiros atletas (quenianos acompanhados pelo português Paulo Gomes) cruzam por nós, já estão de regresso. Pouco depois lá vem o Luís Mota, grito umas palavras de incentivo e prossigo, um pouco mais à frente está o António Almeida e a Isabel a gritar por nós (que pena o António não ter corrido esta Maratona), uma pose para a foto (obrigado Isabel, sabe tão bem ter uma recordação).
e lá vamos nós até à meia maratona, com passagem um pouco abaixo das 1h39’, entretanto o Zé Agostinho já se tinha atrasado, eu o Marçal e o Vítor fazemos contas e percebemos que estamos a correr para um tempo na casa das 3h20’, mas o muro dos 35km é que vai dizer qual o tempo final, pouco depois cruzo-me com a Otília que aparenta facilidade na corrida.

Procuro não me esquecer da táctica aprendida com a “lebre” José Carlos Pereira, depois da meia procurar manter o ritmo até aos 25km, chegar aos 30km com dignidade, depois só faltam 12kms e pouco. E foi o que nós fizemos, chegámos com dignidade aos 25km e aos 28 kms o Vítor decide acelerar, nós (eu e o Marçal) mais prudentes decidimos manter o ritmo, nesta altura 4’45’’/km. Chegámos aos 30km em 2h20’, se conseguíssemos fazer 12.195 metros numa hora, fazíamos uma marca abaixo das 3h20’, o objectivo era correr abaixo dos 5’/km, pois o último km da maratona tem mais 195 metros.

Cruzo-me novamente com a Otília, noto que já não vem tão fresca, o ritmo caía agora para 4’50’’/km (mesmo assim dentro do objectivo), aos 31km entramos novamente no túnel da Ribeira, novamente a zona de empedrado, depois uma ligeira descida, havia que guardar forças para a parte final (ligeiramente a subir). Passamos o abastecimento dos 35km, digo ao Marçal que vou manter este ritmo e se ele quiser que vá. Ele diz sentir-se bem e passa para a frente, ganha-me cerca de 20 metros mas fica sozinho, pouco depois aos 37km já na subida encosto-me a ele e sigo no meu passo, faço esse km em 5’01. O vento agora sopra forte e de frente, faltam 5km para a meta, muito ainda pode acontecer, o 39º km é uma recta interminável sempre com vento contra, sinto-me bem, estou confiante, vou passando muitos atletas, ainda consigo correr a 4’45’’/km.

Ao fundo já vejo a rotunda do Castelo do Queijo, à minha frente vai a Carmen Pires, passo a Carmen e sigo para a marca dos 40 kms, o vento não pára, cada vez está mais forte, mesmo assim mantenho-me abaixo dos 5’/km (4’55’’), faço o retorno e depois dos 40km o vento é favorável, cruzo-me pelo Marçal, que me grita palavras de encorajamento, o mesmo se sucede com o Zé Agostinho que vem um pouco mais atrás. Estou novamente na rotunda e tenho à minha frente a super veterana Conceição Gare, entramos na longa recta que nos leva ao Parque da Cidade. Agora já sem vento sinto-me bem e consigo acelerar um pouco, 41º km em 4’45’’, procuro perceber como está o meu corpo e faço o 42º em 4’40’’.

Nos últimos metros o público puxa por nós, o ambiente é fantástico, olho para o Garmin e vejo 3h18’, procuro correr rápido para terminar abaixo das 3h20’, sem contudo ir muito para lá dos limites, pois não quero terminar esgotado. Entro na última recta e lá está ele o cronómetro oficial, procuro tirar gozo do momento, e ainda passo alguns atletas para terminar com 3h19’44’’ (chip) e 3h20’09’’ tempo oficial, muito melhor do que eu poderia ter pedido e imaginado, se me dissessem no início que iria fazer abaixo das 3h30’ já ficava satisfeito, abaixo das 3h20’ devem de imaginar…

Menos 20’ que no ano passado, http://connect.garmin.com/activity/56096274
Tinha terminado mais uma Maratona e acima de tudo tinha conseguido chegar bem, não me sentia esgotado, não tinha tido cãibras, nem arrepios, enfim foi melhor que a encomenda.

Após uma breves palavras com os colegas que já tinham chegado (parabéns Alcino, 3h11 na estreia é de campeão) sigo para a carrinha para mudar de roupa e rapidamente abastecer a máquina, para não me acontecer o mesmo que nos 20kms de Almeirim. Depois fui esperar a Otília que consegui terminar a sua 3º Maratona, retirando cerca de 6 minutos ao tempo do ano passado.

Por hoje é tudo.

Agora é descansar e pensar no próximo desafio.

13 comentários:

António Bento disse...

parabéns Brito e Otília
excelentes registos, muito bons maratonistas, grandes ultra-trailers, atletas completos ... !
têm muito futuro nestas andaças, estes meus Amigos ;)
Um abraço e um beijnho
António (Tartaruga)

Ricardo Baptista disse...

Parabéns aos dois,
São fantásticos. O treinador também deve ser muito bom...
Boas corridas.

des-encantos disse...

parabéns a quem faz 42...km assim já tinha visto o teu tempo na pag. da prova.
esssa do vinho do porto no kit...deve ser pra oferecer a alguém!!!ainda por cima é feito na Régua we ñ no PORTO.

BritoRunner disse...

Pois é Ricardo muita gente se esquece do treinador, neste caso o treinador é de confiança.

BritoRunner disse...

Bem V. Nunes

O vinho do Porto se é feito na Régua então ainda é melhor, pois no Porto não vi nenhuma vinha. Se ele vai aguentar até ao Natal,isso já não sei, mas não te esqueças que cá em casa são duas garrafas, deve dar até ao São Martinho...hic...hic

Octavio disse...

Ainda nao provei o vinho mas conhecer-te pessoalmente foi um prazer e espero que nos voltemos a
encontrar pelos trilhos e estradas do nosso Portugal:)Parabens pela excelente prova.abraço
Octavio Melo

Fernando Andrade. disse...

Grande Brito
Parabéns pelo excelente tempo e pelo brilhante e empolgante relato. Parabéns também à Otília pelo seu desempenho.
...E obrigado pela visita ao cidadão e pelo comentário que lá deixaste.
Grande Abraço.
FA

António Almeida disse...

Olá Brito
muitos parabéns aos dois e permite-me que aqui no teu espaço envie igualmente parabéns aos teus companheiros de clube pela participação.
Grande abraço.

Vitor Veloso disse...

Olá Brito e Otília!
Brito, foi gratificante para mim correr ao lado de um grande maratonista, obrigado pela companhia e parabéns pela tua Maratona.
Otília, muitos parabéns por concluíres a maratona.
Boas recuperações
Abraço e bjs
Vitor

Rui Lacerda disse...

Parabéns amigo Brito!
Uma Marca notVEL! Desejo-te umaboa recuperação! se não te vir antes, até aos Trilhos do Almourol.
Abraço e bons treinos

Mário Lima disse...

Brito

Até parecia que estava a ler um bom livro.

Cheio de pormenores que nem o meu conterrâneo, Eça de Queiroz, o fez no livro "Os Maias".

:)

Parabéns a toda a equipa da CLube de Alta Competição (acho que esta designação é mais consentânea com o valor dos atletas representados) e fazeres um tempo inferior a 2h20' é de atleta.

Mesmo que não leves a Conceição Gare aos Trilhos de Almourol, levas-me a mim que também sou Conceição. Sei que não é a mesma coisa, mas à falta de melhor tens que "aguentar" com o que há.

:))

Parabéns Campeão.

BritoRunner disse...

Obrigado a todos pelo apoio, sabe sempre bem...heheh

Octávio não deixes o vinho avinagrar, também gostei de te conhecer, tive pena que a prova não te tivesse corrido de feição. Boa recuperação e um abraço.

Fernando, gostei bastante de ter partilhado contigo uns kms de corrida é sempre bom correr com um VIP, parabéns pela 38ª Maratona.

António, tive pena de não teres corrido, obrigado pelo apoio e pelas fotos da Isabel, sabe tão bem recordar.

Vítor, que grande corrida. De todas as maratonas que fiz esta foi a que me deu mais prazer, pela companhia tua e do Marçal, pela paisagem e por não ter tido dores nem grandes problemas. Mais uma vez parabéns pelo tempo canhão.

Lacerda, cá te espero no Almourol. Tenho é pena de não te poder acompanhar, pois estarei na organização


Mário, terei todo o prazer em receber-te, prepara-te que este ano vai haver surpresas. Os trilhos do almourol vão entrar na época medieval...hehehe

A todos Saudações Maratonisticas

Paula Pinto disse...

Parabéns!
Uma excelente prova e uma prova excelente de que, cá pelo Entroncamento, há grandes atletaa.

Um beijinho