Já lá vão dois anos desde a última publicação... actualmente eu e a Otília partilhamos com alguns amigos um projecto que se chama C.A.S.P.A. - Clube Amador Só Para Atletismo, é no site desse clube que podem encontrar as nossas aventuras.
No entanto penso ser importante ter um espaço só nosso para podermos voltar a contar as nossas "histórias"
Actualmente tudo passa pelo facebook, os blogues deixaram de ser moda talvez por isso esteja na hora de reactivar o ENTRONCAMENTORUNNERS.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Aventura no Trail da Serra da Lousã 19-10-2013 - (Depois de ter voltado a andar normalmente, aqui vai o relato)
O desafio do Trail da Lousã não se adivinhava
fácil, depois de ter decidido não fazer a distância do UTAX (88kms), os 45kms
com 2500 metros de acumulado positivo continuavam a meter respeito.
No sábado 19 de Novembro, os atletas do C.A.S.P.A./
GreenRoc (Oliveira, Mário, Acácio e eu própria) na companhia do amigo Miguel
Gameiro (da Liga dos Últimos) partimos às 7h da manhã em direcção a Castanheira
de Pera.
Ao chegamos levanta-mos o nosso Kit e reparei que
havia poucas caras conhecidas, apenas a Maria Antonieta e pouco mais, os meus conhecidos/amigos
que normalmente encontro antes da partida eram tudo gente corajosa e tinham ido
ao UTAX, àquela hora já andavam no meio da serra…!
Depois da fotografia da praxe para mais tarde
recordar, fizemos o controlo inicial e ouvimos algumas informações e alertas,
depois foi dada a partida.
Parti motivada e sorrindo, ansiosa por aquilo que
iria encontrar neste 45 km, rapidamente começamos a subir e logo aos 2km
arrependo-me de não ter partido com os bastões na mão, mas eu pessoalmente não
gosto de os levar logo porque por muito cuidado que tenhamos vamos sempre dando
bastonadas aos colegas que estão ao lado ou atrás de nós. Depois de alguma luta
conseguir abrir os bastões demorou alguns 15 minutos, sou apanhada pelo Paulo
Caetano, continuo lutando com os bastões e ele vai tirando fotos para mais
tarde recordar. Chegámos ao fim da 1ª subida e corro já na companhia do Miguel
Gameiro num estradão óptimo para ganharmos tempo. No entanto passados alguns
kms as minhas pernas já me doem como se tivesse corrido muitos kms, isto não
estava fácil ainda íamos no início e já estava toda dorida! Vejo o Miguel ir
embora corriscando nas subidinhas e eu não conseguia acompanha-lo, quando
insistia nas subidas a correr as pernas tremiam, as ancas e virilhas já doíam.
Isto não pode ser verdade ainda estávamos no início, como é que já vou tão mal,
mas lá vou indo correndo e andando, não se pode desistir assim tão facilmente!
No cimo da Serra no parque eólico havia muito
nevoeiro o que nos dificultava encontrar as fitas (penso que mais algumas fitas
tinham ajudado) começamos então a descer e com dores ou sem dores era para
correr tudo que se podia, mas nas descidas com lama a coisa ainda era pior do
com pedras era cada escorregadela que até ganhava suores….! Vamos passando
pelas aldeias de Xisto, Catarredor, Vaqueirinho e o Talasnal (onde é que foram
desencantar este nomes???) onde está o 1º abastecimento e controle ao km 16.
Encontro ali mais de 20 atletas em fila para fazerem o controlo, onde estava
também o Miguel todo sorridente! Vou ao abastecimento, bebo coca-cola, café,
como marmelada, queijo, mais café sabe tão bem, e lá vou para a fila do
controlo que avança lentamente. E assim que fico despachada lá vou eu correndo
pela descida cheiinha de pedras e por duas vezes o meu rabinho ameaça tocar no
chão mas lá me endireito e sigo em frente as dorezinhas parvas ainda não me
deixaram e penso se conseguirei chegar ao fim, pois continuo a sentir-me tão mal
fisicamente o que ajuda é a beleza à nossa volta é fantástica não há palavras
para descrever o que nos rodeia os Vales e Serras que nos envolvem é …… de
ficar de boca aberta e apenas sorrir!
Depois do Talasnal e de passarmos num trilho
bastante técnico chegamos a uma levada de água deve ter cerca de 1km (o
trabalho que deve ter dado fazer aquilo) de um lado a levada, do outro ribanceiras.
Vou com um grande grupo de atletas, um vai cheio de medo pois tem vertigens
deve ser difícil!
Mais um trilho lindo, mais uma subida (feia e má) mais
uma descida e os km vão se fazendo chego à aldeia de Cerdeira, linda esta aldeia,
onde se encontra o 2º controlo e abastecimento km 22. Abasteço de água, bebo
coca-cola e como um pãozinho com presunto (nham,nham que bom) e sigo na
companhia da Carla Monteiro conversamos e concordamos que esta prova ultrapassa
em beleza a Serra D´Árga e que em dureza não lhe fica atrás, mas vamos a subir
e ela vai indo embora. Vou fazendo contas ao tempo que levo e o que ainda me
falta e como tenho ainda por companhia as malvadas dores no corpo resolvo tomar
um paracetemol que por norma levo na mochila mas que a única vez que tomei foi
nos 100km de Portalegre, mas isto estava tão mau, podia ser que me aliviasse!
Continuamos a subir e sou ultrapassada por dois
atletas da prova rainha UTAX e logo em seguida pela 1ª mulher que era a Ester
Alves, até me sinto envergonhada ela já levava 20km a mais que eu, tinha saído
3horas antes de mim e lá ia ela avançando como se nada fosse. Paciência digo
para mim própria, cada um corre o que pode, tentava convencer-me que não fazia
mal correr tão pouco, enfim “o pior cego é aquele que não quer ver”. Nesta
altura tinha a companhia de mais dois atletas do UTAX e subíamos em direcção
aos aerogeradores de Vilarinho e Trevim que seria o ponto mais alto da nossa
aventura (1205 m).
Ora se subimos, temos que descer e quando vou
a meio da descida levanto a cabeça e olho para a frente e ia caindo para trás com
a MAGESTOSA subida que estava ainda longe mas para onde eu tinha que passar
pois conseguia distinguir pontinhos (atletas em miniatura), abri a boca mas não
saiam palavras mas no meu pensamento surgiram todos os palavrões que aprendi ao
longo da vida.
Arre porra! Como é que eu vou subir aquela
coisa? Assim é que nunca mais chego ao fim! Mas lá fui e finalmente as dorezinhas
tinham abrandado e começava a sentir-me melhor, já era tempo pois tinha 27 km feitos
a penar. Chego junto a uma capela e ao poço das Neves e a partir daqui pelo
gráfico seria sempre a descer. Encontro a Carla outra vez e ela deixa-me passar
pois desço melhor que ela, e finalmente sinto-me bem e corro por ali abaixo num
trilho (trilho do neveiro) onde às vezes só cabia um pé à frente do outro,
avisto ao lado direito as descidas e subidas que tinha feito antes e onde havia
ainda atletas a passarem pelo mesmo que eu. E corro, corro e de vez em quando
apanho um susto pois as pedras atravessam-se nos pés, e avisam-me para ser
cuidadosa pois não vou ganhar nada se cair ali, mas vou sorrindo já falta pouco
15 km (+ ou-).
Chego ao último abastecimento no Coentral
Grande, o meu Garmim marca 31 km, muita gente sentada a descansar, alguns
desistentes. Comi uma canjinha, bebo coca-cola e lá vou eu sem perder tempo
pois já tinha perdido tanto, agora corro como se fosse no inicio da prova,
fazemos kms no alcatrão mas não me importo nada, vejo um atleta do UTAX seguir
em frente quando tinha que virar à esquerda grito-lhe várias vezes até me
ouvir, quando se chega ao pé de mim agradece-me e diz que já vai ceguinho de
todo (não é para menos) chego à praia fluvial do Poço do Corga começa a
chuviscar mas por pouco tempo (lindo este local) vou encontrando vários atletas
dos 45km que vou passando e começo a avistar muitas casas, um campo de futebol
estamos quase que bom e de repente vejo a ilhota da Praia das Rocas, passamos
por dentro desta e avanço em direcção à Praça da Notabilidade para mais uma vez
cruzar a meta e sentir-me Feliz por ter feito 42km em 7h43, fui 8ª da geral
feminina e 2ª F40 em 15 mulheres que conseguiram acabar esta aventura!
Foi das provas mais duras que fiz até hoje, (pelas
dores) só tive assim dores na 1ª vez que fiz os 100km de Portalegre e depois
dos 85 km!!! O meu corpo não estava bem neste dia, melhores dias virão!
Mas mesmo assim valeu a pena! A Paisagem é do
melhor que podemos desejar tanto Verde lindo, Adorei!
Os meus Parabéns ao Fernando Pinto e a toda a
organização do UTAX, só faltavam mais umas fitinhas!
Os meus Parabéns a todos os Corajosos que
chegaram ao fim da prova do UTAX e aqueles que que tiveram a coragem de tentar!
Até breve num Trilho Qualquer! És Tu e o Trilho!
segunda-feira, 10 de junho de 2013
12ª Corrida do Mirante - Ota
Depois de ter conseguido acabar
os 100 kms de Portalegre, foi com muito prazer que mais uma vez marquei
presença na corrida do Mirante - OTA. Esta seria a 1ª prova do grupo de amigos
C.A.S.P.A/Gren Roc. Iria também ter a companhia dos meus filhotes, o Tomás na
corrida e o Vasco como Fotógrafo do dia.
Assim que chegamos fomos levantar os peitorais, pôr a conversa em dia e tirar as fotos com os amigos para mais tarde recordar.
Dei um grande abraço de Parabéns à Analice pelas suas últimas
aventuras e pelo Ser excecional que ela é. Chegam as 10 horas e já está muito
calor só com um pequeno trote para aquecer e o pessoal já estava todo a
transpirar. Foi feita a homenagem à Analice e dá-se a partida, parti com muita
calma pois as pernas ainda trazem 50 km em cada uma, ao meu lado está o meu
Tomás, embora por pouco tempo pois ele vai seguir na passada dele.

Depois de passar o rio e chegarmos lá acima ao local onde mais tarde faremos o piquenique começo a sentir-me bem e vou ultrapassando atletas que partiram um bocadito mais rápido mas com tanto calor tem que começar a gerir a prova de outra maneira. O meu Tomás continua um pouco mais à frente, encontro o Joaquim Adelino e o Luís Miguel (Tigre) e não os deixo até ao final da prova, eu achava que lhes estava a fazer falta mais uma perninha para ajudar à festa (pois desta vez não tinham a companhia da Susana Santos). E lá fomos conversando e rindo, apreciando o pessoal mais novato nestas andanças. Ainda tivemos tempo para uma foto no Mirante para mais tarde recordar.
Um bom percurso, bonito, sem ser muito difícil apenas
aquele V é que nos faz um
bocadinho de impressão quando o vemos assim de repente. Mas tudo se faz com
calma.
Nas descidas corríamos num ritmo
muito bom, as subidas eram feitas com calminha (caminhando) pois dizíamos nós
que já não tínhamos idade para maluquices (fraquitos) ….ehehhe! Os últimos kms
foram feitos num ritmo muito agradável em que me senti muito bem e com força
nas pernitas. Acabamos os 3 juntos o Tigre dizia que eram os últimos 13 km que
faltavam ao Joaquim Adelino para terminar os 100km de Portalegre e que
infelizmente não tinha tido a sorte de terminar no dia 18 de Maio. Fiz o tempo
de 1h35’ no quase 13 km, foi o possível.
O meu Tomás conseguiu chegar 5 minutos à minha frente, foi bom pois ele quase não treina, a preguiça reina pelo lado dele!
Em seguida o churrasco na companhia
dos amigos.
Mais uma vez a Organização da
corrida do Mirante está de parabéns.
Agora é preparar para a Loucura
dos Trilhos da Reixida!
Beijos/Abraços e até breve.
Otília Leal
segunda-feira, 20 de maio de 2013
100 km Ultra Trail de São Mamede – 18 Maio 2013
Quando em Janeiro me deu a maluquice de voltar a
inscrever-me nos 100 km de Portalegre foi porque pensava que na 1ª vez em 2012
talvez tivesse acabado os 100km por pura sorte de “principiante” com se costuma
dizer, por isso tinha que tentar de novo para ter a certeza que era mesmo uma
verdadeira Ultramaratonista. Com o passar do tempo e com a obrigação de fazer
alguns treinos mais específicos e provas mais longas comecei a pensar que a
minha “Inocência” de voltar a tentar ia virar mesmo era uma grande “Estupidez”!
Tal era o medo!
A semana anterior ao grande objectivo foi de muita
ansiedade, tentando organizar tudo para que nada faltasse durante a prova o
pior era o São Pedro que não ajudava nada, cada vez mais frio e chuva. Chegando
o grande dia partimos para Portalegre 3 amigos com desejos enormes de
ultrapassar todos os obstáculos, Euzinha o Mário Salgueiro e o José Oliveira na
companhia de 3 amigos que nos iam apoiar nos PACS durante toda a prova o Brito,
o Lélio Ferreira e o César Ferreira.
Chegando a Portalegre, ao estádio onde estava
localizado o grande evento fomos levantar o nosso Kit e encontrar muitos outros
“atletas” doidos, que como eu se tinham metido nesta loucura, uns novatos como
a Cristina Guerreiro e a Susana Brás que estavam nervosas e ansiosas ou outros
que já tinham feito 100km mas noutros locais e tinham ouvido dizer que estes
100km de Portalegre não eram pêra doce, outros já especialistas nestas andanças
que se iam rindo dos nervos do novatos. Chego a hora despeço-me do meu Brito
oiço os seus últimos conselhos e vou para a partida com um dos meus colegas de
treino que ia fazer-me companhia António Leitão.
Ás 00h00 é dada a partida e os nervos passam, agora
só resta correr/ caminhar os 100km e estar de volta ao estádio outra vez com
Alegria e Dignidade num tempo razoável. O meu objectivo era chegar, se
conseguisse melhorar o tempo do ano passado seria excelente (104 km em 19h58)
se fosse igual não era mau! Mas nestas provas eu com a minha pouca experiência
sei que as coisas nem sempre correm como planeamos, por isso eu nunca tenho
grandes objectivos, prefiro ir ao sabor dos ventos e trilhos.
Parece mentira mas os kms passam rápido, num
instantinho passamos pelo PAC 1 (Viveiro Florestal), e pelo PAC 2 (Alegrete, 17 km), a única coisa má era que me
doía muito o meu estômago tanto fazia comer ou beber tinha mesmo muitas dores.
Tentei esquecer as dores cantarolando na minha cabeça a canção dos Fun – Carrie on que me acompanhou até ao
fim da prova!
O frio era cada vez mais, começamos a subir para as
antenas o nevoeiro e o vento fazia-me gelar, cheguei lá acima aos 30 kms com
4h59, lá estava o Brito, o Lélio e o César a perguntarem como me sentia,
ajudaram-me a tirar as pedras das sapatilhas, bebi dois cafezinhos e comi bolo
(estes abastecimentos eram fantásticos!) e lá fui embora pois não se podia
perder muito tempo, descemos por uma descida muito técnica, aproveitei para
correr para tentar aquecer.
A noite continuava, já estava farta de correr sem
ver a paisagem, assim fico muito cansada física e mentalmente, chego finalmente
à barragem da Apartadura, (PAC 4) 40 kms estão feitos em 6h40, eu sei que já
disse isto mas torno a repetir ADORO este nome faz-me sentir “apertadinha de
cansaço” mas também “Reconfortada e Feliz” pois a beleza daquele lugar e então naquela
hora da manhã é fantástica. Mais um abastecimento excelente, como pão com
chouriço assado, batatas fritas, bebo coca-cola, café, água é uma mistura
explosiva mas foi a partir daqui que a minha dor de estômago me deixou em paz e
lá vou eu outra vez para mais uma etapa, abastecimento a abastecimento, lá vou
cada vez mais longe! Chego à aldeia do Gavião este ano por outro local, vou
correndo sempre nas descidas e no plano, devagarinho claro.
Chego a Porto de Espada mais um abastecimento,
bifanas quentinhas, tão bem que me soube mais coca-cola, abasteço o meu
camelback com água e lá vou outra vez. Vou vendo Marvão a aproximar-se, que
vista maravilhosa, sinto-me uma Sortuda por estes momentos únicos, passo a
ribeira com água tão geladinha, tinha conseguido chegar ali sem ter molhado os
pés (eheheh) mas ali não consegui evitar! Finalmente Marvão atravesso a estrada
de alcatrão e lá vejo a porta da traição “malvada”, não havia outro local mais
fácil para a colocar? Um senhor da organização incentiva-me e diz-me que vou
muito bem com uma boa passada e com força (abençoados bastões deram-me muito
jeito) o senhor deve dizer isto a todos os atletas que por ali passaram, mas
soube bem ouvir estas palavras, logo a seguir oiço o meu nome era o Brito no
cimo da porta da Traição a gritar por mim, começo logo a correr, pois era a
descer, uma daquelas estradinhas romanas com pedras e mais pedras parecendo um
verdadeiro puzzle, depressa se acaba a descida e começamos a subir aquele
penhasco, do caraças, que faz o nosso coração bater a um ritmo alucinante, mas
não parei, vou chegando ao pé do Brito que veio ter comigo a meio e me pergunta
como estou, vou bem digo-lhe, devagarinho mas vou bem.
Passo pela porta e lá vou eu a correr por Marvão
abaixo, encontro a Isabel que me diz que o António Almeida ainda está atrás de
mim fico muito admirada, afinal até vou bem, apanho o Fernando Morais tiramos uma
foto para recordar e sigo para o PAC 6, estão feitos 60km em 10h30, como a
sopinha enquanto o Brito me vai buscar a mochila e me enche o camelback com
água, esta ajuda é fundamental faz com que não perca tanto tempo como no ano
passado. Troco de roupa e sapatilhas num cantinho da sala de almoço, e lá vou
eu de novo, corro por ali abaixo tão contente, já só faltam 40 km são “amendoins”,
ou não! Tudo pode acontecer em 40 km. Mas estes 60kms já são meus, e os
tornozelos, joelhos e ancas já se queixam um pouco. Vou encontrando muitos
atletas, mas faço vários kms sozinha, o meu colega de início já tinha ficado
para trás antes de Marvão, mas não me faz diferença ir sozinha aproveito a
paisagem e ralho com aquelas estradas de pedra a seguir ao PAC 7 de Carreiras,
é a parte que menos gosto em toda a prova, quase sempre a subir fazem-me dizer
vários adjectivos não muito dignos! Mas lá vou caminhando e trotando para o
próximo PAC 8 e para a descida das pedras, e lá estão a Paula Fonseca e a Isabel
Almeida a darem força a todos os atletas, são uma claque fantástica.
Desço as pedras muito bem, abasteço, e lá vou de
novo, apanho um grande grupo de atletas, vamos correndo naqueles estradões (o
ano passado já não conseguia correr ali) tenho companhia durante vários kms
entretanto começa a chover mais ou menos no mesmo sítio que no ano anterior a
única diferença é que era muito mais cedo, trovoada, granizo que grande
companhia esta.
Entretanto tenho que parar para pôr spray nos meus
tornozelos e em outras partes, e ir ao mato aliviar-me, fico de novo sozinha e
lá cai mais outra carga de granizo desta vez do tamanho de “amêndoas” a minha
sorte é que ia a passar perto de um local onde estava uma tenda para dar apoio
aos atletas e foi lá que me resguardei, Ufa que sorte. Assim que parou lá vou
de novo ainda chovendo, nestes estradões sou apanhada pela Joana Grácio e outro
atleta que passam por mim correndo num ritmo muito confortável, que inveja o
que eu não dava para correr assim! Eu também corria de vez em quando, mas
corria 200 metros e andava 800 metros era uma grande diferença! Mas lá ia e
sentia-me bem, sou apanhada pelo Rui Pedras, rimos-mos e conversamos, chegamos
juntos ao PAC 9.
Lá esta de novo o Brito, a dar-me apoio, diz-me que
estou muito bem, estão lá muitos atletas, aproveito para tirar mais umas pedras
das sapatilhas, como pizza, o Rui saí rapidamente eu ainda fico mais um pouco,
conforme abandono o abastecimento mais uma chuvada!
O percurso agora era em estradão, passamos mais uma
ribeira, para meu alívio vamos para o lado contrário ao ano anterior, UFA já me
safei daquelas subidas malucas, ou não! Vou correndo no alcatrão e em todas as
descidas riu-me contente por este feito, consigo correr aos 93km URRA!
A meta aproximasse, subo para a última etapa a
capela da Nossa Srª da Penha, está quase penso, quando caminho, caminho num bom
ritmo vou apanhando de novo atletas, vejo os penhascos lá no cimo e receio se
temos que ir mesmo lá ao cimo, mas felizmente não! Nova descida e o Brito no
fim dela a gritar por mim, ele nem acreditava que eu já ali estava, consegui
surpreende-lo desta vez. No último abastecimento, mal tive tempo de beber um
golo de coca-cola mesmo pela garrafa e lá vou outra vez, última etapa, última
volta, faltam 5 km diz o Brito não posso desistir agora se continuar assim vou
fazer um tempo fantástico! Respiro e respiro de novo e assopro e desço todos os
degraus a correr (era uma carrada deles) receio que me dêem cãibras mas tive
sorte, acabam-se os degraus e que bom era estrada de alcatrão e a descer, corro
num ritmo confortável com outro atleta, vamos ultrapassando outros atletas que
já só conseguem caminhar (eu sei bem o que isso é) o Brito vai gritando por mim
dentro do carro na estrada ao lado daquela onde eu vou a correr, levanto os
bastões em sinal que o oiço e que estou bem, apetece-me chorar (mariquices) vou
conseguir cumprir o meu objectivo num tempo que nunca tinha pensado possível! O
meu colega vai indo, eu vou mais lenta, tenho que caminhar de novo senão estalo!
O meu corpo já sente um enorme cansaço.
Avisto o Rui Pedras e penso, tens que o apanhar,
passo mais dois espanhóis e corro de novo, o Lélio vem ao meu encontro e diz-me
falta um km, está quase mas o rabo por vezes é mais difícil. Salto o muro para
dentro da ribeira o Brito está do outro lado, corro e grito para o Rui Pedras
esperar por mim ele ri-se e diz que não quer que os espanhóis o apanhem
(ahahah) fazemos os 700metros (+ ou-) juntos e falamos da prova que estamos a
acabar, concordamos que este ano foi mais fácil (para nós), e lá estamos no
estádio de onde tínhamos saído há tanto tempo! O Rui não acha graça a ter que
dar uma voltinha ao estádio e fica para trás, eu vou correndo com emoção e a lagriminha
no cantinho do olho.
Consegui de novo, afinal não foi sorte de
principiante, foi mesmo Coragem, Persistência, algum trabalho e uma grande dose
de Loucura!
100km em 17h54´, (menos 2h04 do ano passado),
ganhei uma medalha de cortiça de Finisher, um tropeço de prémio de 10ª da geral
feminina e um excelente Empeno no meu corpinho, e recordações maravilhosas
deste grande Evento, excelente organização, tudo 10 estrelas!
Agradeço o apoio dos 2 amigos Lélio e César
Ferreira e ao meu Brito que foi incansável no apoio que me deu ao longo destes
100km!
A todos os atletas que tiveram a coragem de estar
na partida e a capacidade de chegar ao Fim os meus Parabéns!
Aqueles que tiveram a coragem de estar na partida e
por algum motivo não puderam chegar ao Fim, não desistam, novos objectivos
serão traçados e cumpridos!
E eu não caibo em mim de contente!
“IUPI, IUPI, sou outra vez
Ultramaratonista”
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
“1º Leiria Chistmas Night Trail”
No sábado 15 de dezembro, menos de uma semana depois de ter corrida a 27ª Maratona de Lisboa e para terminar o ano nada melhor que participar no “1º Leiria Chistmas Night Trail”. Este Trail foi uma prova de solidariedade, com o objetivo de reunir géneros alimentícios para apoiar duas instituições a “Cáritas” e a “Casa do Gaiato“, assim além do preço da inscrição, todos os atletas fizeram um donativo de, pelo menos, 2kg de géneros alimentícios não perecíveis.
Desta vez fui o único EntroncamentoRunner a comparecer na linha da partida, o resto da família optou por ir até ao centro comercial fazer compras de Natal.
Depois da entrega dos géneros alimentícios e do levantamento do dorsal, tarefa que se mostrou algo complicada, desloquei-me para junto do estádio de Leiria (local onde terminava a prova) para reunir com os restantes atletas do CLAC-Entroncamento. O ambiente é descontraído, tão descontraído que poucos minutos antes da partida “descubro” que não trousse o frontal, como é que vou fazer uma prova noturna sem frontal??? Bem isto é urbano vou junto a alguém que tenha um bom frontal e vou desenrascando-me… mas o que vale é que há amigos que pensam em tudo, o Orlando Pires do CA Barreira tinha trazido um frontal de reserva, que me emprestou (obrigado Orlando).
Deslocámo-nos para o local da partida, havia muita gente e muitos deles eram novos nestas andanças, como a prova tinha cronometragem com o sistema sportident, havia que fazer o controlo inicial e ai é que foi complicado. A partida foi dada com algum atraso (cerca de 30 minutos) e lá vai todo o pessoal subida acima. Optei por fazer uma prova em ritmo calmo e para isso nada melhor que ir acompanhado por alguém que tivesse um bom frontal e de preferência que fosse meu conhecido. O “Abutre” João Lamas encaixava perfeitamente nos meus condicionalismos, e lá fomos correndo, falando e brincando, também tivemos ligeiros enganos, mas nada de preocupante. Na passagem por um parque de estacionamento subterrâneo, juntou-se um grupo com bastantes elementos e um deles era o meu conhecido Paulo Mestre. O grupo dirigia-se agora para o castelo, local onde estava o abastecimento, depois a passagem pela rampa para um Skuuuuu
Passagem pelo centro de Leiria, mais um parque de estacionamento suterrâneo e já depois da escadaria que nos levava a uma igreja ganho algum avanço e vou correndo. Aos 17km vejo um equipamento do CLAC à minha frente, percebo que é o João Dias, vai num bom ritmo e durante algum tempo faço-lhe companhia. Em seguida vem uma zona de pinhal com terreno sem lama que dava para correr a bom ritmo, vou seguindo e vou distanciando-me, pouco depois já estou a entrar novamente na zona urbana de Leiria, agora o percurso desenrolava-se junto ao rio Lis numa zona de jardim, o ritmo de corrida agora é mais próximo do de uma prova de estrada, o estádio já se consegue ver, mas como o percurso não estava balizado e o parque de estacionamento do estádio estava com bastantes veículos houve alguma confusão no acesso. As indicações eram dadas por atletas que já tinham terminado a prova e a dúvida se seria mesmo por ali subsistia.
Entrada no estádio e só faltavam 300 metros para terminar este Trail Solidário de 22km, o qual terminei em 92º lugar com 2h18:45.
Os meus parabéns à organização pelo percurso apresentado, um circuito nada monótono, pelo excelente abastecimento num local lindíssimo, as passagens pelos parques de estacionamento subterrâneos e o local de chegada no estádio. Com alguns melhoramentos, nomeadamente no afunilamento aos 600 metros e uma melhor marcação é sem dúvidas uma grande prova de trail.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
27ª Maratona de Lisboa
No passado dia 9 de Dezembro deslocámo-nos a Lisboa para correr a 27ª Maratona SEASIDE de Lisboa, a última Maratona do Ano.
Mais uma Maratona concluida, desta vez em Lisboa.
Tudo correu como o planeado (previa fazer 3h20) excepto uma paragem técnica na "casa de banho" aos 31 km para libertar algum peso (a barriga ia apertada desde os 10 km, já não dava para aguentar mais) e a malfadada subida da Avª Almirante Reis que nunca mais acabava... o final 3h23'48'' oficial e 3h23''15 de chip.
Clicar para aceder aos dados da corrida recolhidos pelo meu Garmin
Depois de uma semana complicada a Otília conseguiu terminar a sua 8ª Maratona.
Parece que esta foi a última vez que a prova se realizou neste circuito, para o ano vamos ver como será...
sábado, 8 de dezembro de 2012
Ultra Trail Amigos da Montanha - 60 km
No dia 25 de novembro os EntroncamentoRunners estiveram presentes pelo segundo ano consecutivo, na Ultra Trail Amigos da Montanha uma prova com cerca de 60 km, com trilhos muito bonitos na zona de Barcelos.

Os Amigos da Montanha mais uma vez brindaram-nos com um slide já com 32kms nas pernas, mas foram os braços a ressentirem-se...
O meu resultado final foi 65º lugar da geral com 7h37
A Otília também alinhou nos 60 km, foram poucas as que tiveram a ousadia de partir para tão grande aventura.
Até houve tempo para uma travessia em canoa no rio Cávado
No final nada melhor que terminar na companhia da grande Célia Azenha, alcançando o 139º lugar da geral com a marca de 9h32.

Agora vamos ver como corre a Maratona de Lisboa.
Saudações Trailianas
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